sexta-feira, 6 de maio de 2011

Em busca do carro perdido



Lá fui eu toda animada no Alecrim comprar presentes pra criançada e como sempre estava tudo lotado, sem vaga, daquele jeito. Passei pelas ruas que tenho costume de estacionar e nada. Foi quando deu um rompante de esperteza maior que sempre:
- "Vou colocar o carro numa rua mais afastada, assim me livro do miolo do trânsito e não demoro tanto em busca de vaga".
O único ônus seria andar um pouquinho (atenção para o "pouquinho"). Santa idéia.
Mais longe e bem loguinho encontrei vaga. Toda satisfeita, toda serelepe. E era um lugar muito amplo, muito fácil e não tinha nem jeito de esquecer.
Fui beeeem distraída e bem calma procurando, escolhendo com carinho, andando de loja em loja até o miolo. Escolhi os presentes, pedi para embalar, agradeci, sorri e saí em busca do carro. O objetivo era apenas esse, cumprido (e comprido, eu não sabia).
Caminhei por outra rua, afinal eu sabia demaaaaaais onde o carro estava, nem me preocupei com o trajeto. Nem na ida, nem na volta. Caminhei, caminhei, caminhei...
- "Era nessa rua... não, era mais ali na frente. Será? Mas será que era por aqui mesmo?"
Caminhei mais, entrei e saí de rua, olhei, me estiquei procurando e nada.
- "Mas eu tinha certeza que estava por aqui!"
E vi uma rua bem familiar. Toda sorridente na rua a baixo (vai, minha filhaaa). Mas o carro não aparecia. Não sei explicar por quê. Estava ficando tão longe, o sol estava tão quente, os pés estavam tão doloridos, a sede estava tão grande e o carro estava tão sumido.
- "Meu Deus, será que roubaram?"
Pensei em parar, avisar em casa o motivo da demora e isso me dava mais vontade de rir do que chorar. Parei numa sorveteria, ia pedir uma água. Abri a bolsa para pegar o...
- "Cadê meu celular???"
Foi nessa hora que a vontade de chorar ficou maior do que a vontade de rir. Nem comprei a água e saí pensando numa estratégia para encontrar o carro porque nessa hora já tinha me convencido que não estava no lugar certo, pois eu não tinha andado tanto assim na ida.
O segundo rompante de esperteza maior que sempre foi voltar para a rua por onde entrei no Alecrim e fazer a pé o mesmo percurso que eu fiz com o carro até chegar no local exato que estacionei. Não ia ter erro!
Com o bico pendurado e a vontade de rir totalmente sumida, tomei a decisão que ia fazer isso mesmo! Mas precisava tomar ao menos uma águinha, porque eu sou lesada mas sou filha de Deus! Atravessei a rua, entrei numa farmácia/conveniência, comprei a água e fui me encostar na parede do lado de fora, bebendo água e contemplando o mormaço subindo no asfalto. Bebi um gole e quando olho para o ladooo... Genteeeeee, o carro apareceu do nada! Crêem???
Me deu uma vontade de chorar de tanto rir e eu fui embora sem telefonar pra seu ninguém pra contar da minha demora! kkkkkkkkk...

Que foi? Vai dizer que nunca perdeu o carro? :)

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O poder de controlar mentes




Começando pela própria mente.

Nunca gostei de sofrer. Poque dói. Até concordo que em alguns casos, num primeiro momento, não tem muito como dominar. Aliás, que fique bem claro que não estou falando em mandar nos sentimentos, este já é outro departamento. Estou falando em direcionar a mente e as energias para longe do que trás sofrimento, não se entregando a negatividade. Se não der para resolver, dá ao menos para amenizar.

A técnica serve para momentos de decepções, dores, angústias e até pesadelos. Sim, pesadelos. Sabe aqueles maus sonhos nos quais não se consegue gritar para pedir socorro, nem correr de um ser ameaçador? Terrível, não é? E aqueles sonhos recorrentes, que de tempos e tempos voltam, idênticos, a perturbar? :-O

Meu sonho recorrente era que uns homens fardados e armados estavam invadindo as casas da vizinhança. Eu, sozinha em casa com minha avó, ficava agoniada para fechar as portas, enquanto vovó queria, antes disso, tirar uns brincos que estavam incomodando e que não estavam desatarraxando. O sonho acabava quando éramos surpreendidas por eles no quarto, com tiros. Desde pequenininha, o mesmo sonho.

Agora, o segredo.

A tática do controle mental para resolver este tormento é a seguinte: Lembrar que é um sonho... e seu! Se é seu, você manda! Já mandei lobos pararem de correr atrás de mim, ladrões baixarem as armas e os invasores da minha casa irem embora. Ora, o sonho é meu! Eu que mando.

E como lembrar que é sonho no meio do sonho? Simples! Caso haja qualquer dúvida (por menor que seja) que aquela situação é real, elementos estranhos ou impotência demasiada, como não poder gritar, é ficção! Não tem errada! Quando as coisas são realidade, temos plena consciência disso.

Funciona, hein!
cada um controla o que pode ;)

Ps: Qual o sonho recorrente de vocês?

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Maratona de sorte!




O dia começou ainda de madrugada quando as moriçocas não nos deixavam dormir. Eu e João resolvemos passar a noite em Tibau e voltar cedo para Mossoró, onde eu pegaria o ônibus para Natal.

Então foi levantar as 5 hs da manhã, secar colchão de ar, arrumar o restante das coisas e zarpar. O primeiro lance de sorte foi fazer um lanche na rodoviária, o que normalmente não faço, e o segundo foi ir ao banheiro, mesmo sem ter papel. Mais na frente você entenderá o porquê.

Com mais de meia hora de atraso, chega o ônibus. Como sempre: sentei, deitei e dormi. E faltou coragem de descer pra comprar água no meio da viagem, o que também foi positivo, pois me poupou de ter vontade de ir ao banheiro antes do tempo. Que tempo? Muito tempo!

Passando de Parnamirim, quando já me sentia em casa e sentia o cheiro da comidinha da mamãe, o motorista avisou que a "Ponte Velha", que hoje é uma tubulação que passa abaixo da BR 101, pouco antes da entrada da Av Maria Lacerda, desabou. Talvez não pudéssemos passar pelo local, tivéssemos que voltar para Macaíba e fazer a volta para entrar em Natal pela Zona Norte, direto para a Rodoviária. Mas só faltava 2 km para a minha casa! Já pensou?

Mas, como diria meu irmão, "o milagre é a última esperança que morre". E fiquei fazendo pensamento positivo para que o ônibus pudesse passar e seguir viagem pelas vias normais. E foi liberado! :). Muita sorte! Só que não andava :(. E Painho lá esperando por mim, a um pouco mais de 1 km. A viagem que era para terminar às 11 hs, às 13 hs ainda não tinha acabado.

Pensei em descer e ir andando, afinal era um pouco mais de 1 km. Mas como o trecho de pista que faltava é circundado por matagais, não achei uma boa idéia. Porém, quando a sorte está ao nosso lado, os problemas se resolvem :). E mais pessoas decidem descer! Eis a minha oportunidade, já que ninguém poderia me buscar, pois na volta seria o mesmo engarrafamento para enfrentar.

Realmente 1 km e meio não é tanto assim, desde que não esteja no sol das 13-e-alguma-coisa, que não se tenha mala pesada (sem rodinhas) para carregar, nem um saco de sapoti e nem sandálias inapropriadas!

Então, para animar o percurso, dois meliantes que estavam esperando ônibus no sentido Natal-Parnamirim resolvem voltar na direção Parnamirim-Natal, coincidentemente e curiosamente na mesma hora que passei cachingando e carregando peso. Mais que depressa cachinguei para o meio dos carros, onde aqui, acolá aparecia um membro do exército ou da polícia rodoviária federal. Muita sorte de ter percebido isso no meio do sufoco, não é?

De longe eu via Painho e Mainha me esperando, feito uma miragem. Então quando fui me aproximando, fui notando que os pés suados roçando nas sandálias inapropriadas estavam formando bolhas. E comecei a andar com os pés de lado, onde também começava a arder formando mais bolhas. Cheguei andando manca e esbaforida feito um maratonista que vem machucado de um longo percurso e é recebido com palmas.

Um dia ainda vou participar de uma maratona. Ok, meia maratona está bom.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Peixinha



Desde pequena gostei muito de esportes. Era a primeira a chegar na aula de educação física, fazia com gosto polichinelo, agachamento, corrida, subia escada. Lembra? :) De tudo já experimentei um pouco: handebol, futsal, vôlei, basquete, futebol de campo, capoeira, karatê, judô, musculação, atletismo, natação, hidroginática... e por aí vai. Então passei uns tempos sem poder colocar minhas habilidades atleticas em dia, mas estou aí recuperando o tempo perdido, descobrindo outras coisas que me dão satisfação, depois eu conto mais.

Na família somos eu e Painho, os dois acelerados! É comigo que ele conversa sobre futebol e é para mim que ele envia os torpedos dizendo que time do quê está classificado para o campeonato tal. E eu adoro! E quando estamos juntos assistimos da ginástica rítmica à luta livre. Da última vez que estive lá na casa dele, foi me mostrar a mini academia que montou: esteira, bicicleta ergométrica, remo, aparelho de abdominal, aparelho giratório pra cintura, uns pesos... aí juntamos a fome com a vontade de comer. Eu fiquei doida pra testar tudo e ele ficou doido que eu testasse e falasse o que achei!

Aí começou a maratona, eu ia seguindo tudo que o mestre mandava: Aquece na bicicleta. Cinco minutos. Mais peso. Mais dez. Mais peso. Mais cinco. Agora, acelera, mais dez e pronto. Mede frequência cardíaca, pressão. Vai pra esteira, anda cinco. Cansou? Não. Anda mais ligeiro. Pi, pi, pi, pi, pi... Anda mais cinco. Mede frequência. Está boa. Pi, pi, pi, pi, pi... Corre! Pronto, agora só mais cinco minutos e completa uma hora de tudo. Aí depois faz o remo uns dez minutos e uns cento e cinquenta abdominais.

- Pai, ainda bem... bem... que aqui num, não tem piscina, né?
- Por que?
- :)
- ;)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Elas precisam de amor



Mais uma vez aquele papo chato sobre as diferenças entre homens e mulheres. Não, nem sobre inversão de papéis, mas sobre o que verdadeiramente importa. O que conta para elas? Não é novidade que em rodas femininas rola todo tipo de assunto, mas em boa parte das vezes o assunto é o que elas esperam e porque se decepcionam. A primeira grande lição talvez seja entender que embora essa mulher atual seja diferente do homem, em tudo, no fundo espera mais ou menos o que ele também espera dela. Sabe a lei da compensação, do equilíbrio, da troca? Não? Sabe então olho por olho, dente por dente? Ahhh... agora sabe, não é?!

Na verdade a intenção não é tornar a vida uma disputa, pelo contrário, ela quer é parceria, cumplicidade. E talvez isso seja o mais importante. Um parceiro, cúmplice é muito mais do que uma companhia integral, é aquele que mesmo não estando ao lado o tempo todo, ela sabe que pode contar com ele o tempo todo, pode ter confiança. É aquele alguém que se interessa de fato pelo que ela faz, tem curiosidade de saber como é seu trabalho, sua vida, que compreende seus objetivos, acredita nos seus sonhos, vibra em saber dos progressos, fica verdadeiramente feliz com isso e torce para que chegue mais longe ainda. É aquele que se importa com o que ela sente, com suas preocupações, que entende as angústias, os medos, dá força para continuar e que esteja ali também para abrir o olhos, para dar uma opinião sincera, um outro ponto de vista e não apenas para dizer "amém" a tudo que ela pensa. E o mais essencial: aquele que da mesma forma quer dividir seus sonhos, juntando-os em um só, compartilhar também a sua vida. Não tem vergonha de assumir seus medos, fraquezas, erros e que dá importância à opinião ou ponto de vista dela. É aquele que também vê nela cumplicidade, parceiria e confiança.

É crucial que ele tenha sua individualidade e respeite a dela, que haja da mesma forma com ou sem a sua presença, que não seja grudento nem dependente e admire como ela mantém os amigos. Que tenha interesse de conhecer seus círculos e se entrosar neles também, tenha gosto de ser a companhia dela, de ser o escolhido. Que respeite seu pai e mãe como a coisa mais preciosa, e que não deseje o mal nem aos desconhecidos.

Como dá para perceber, o homem que essa mulher espera não é o ser humano pefeito, mas é aquele que acima de tudo respeite seu tempo e limites, que não ache que ela tem que agir ou seguir por onde ele determinar sem valorizar as etapas que ela acha importante, que não tenha pressa e conquiste-a a cada dia como se fosse o primeiro, que faça sempre o seu melhor, com capricho, com gosto e atenção, tirando o melhor de cada minuto ao seu lado. É aquele que sorri quando a vê, que não tem vergonha dela, independente de como esteja vestida, se conta uma piada boba ou lhe beija no nariz. Que tenha orgulho dela, de apresentá-la, de que todos vejam como ele está feliz ao seu lado. Que lhe dê valor... flores, chocolates ou o seu melhor sorriso.

Um homem que também a faça rir e sorrir. Que goste de agradar e se deixe ser agradado, que ande de mãos dadas, que dance com ela na rua, brinque, conte piada, faça cafuné e beije na testa, que queira casar e ter filhos... passar o resto da vida ao seu lado. Que a trate do mesmo jeitinho a sós ou na frente dos outros, que note quando ela pintou as unhas ou cortou os cabelos. Que goste de dormir junto e confie nela até de olhos fechados. Ela quer estar nos seus planos, sejam eles quais forem.

Talvez o nome disso seja amor. Se ele existir.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Na dança da motinha...



- Vendedor: Pronto! Aqui a nota fiscal, garantia, ferramentas, capacete... quem vai levar?
- Ale: Eu mesma!
- Vendedor: Ahhh... você já pilota?
- Ale: Não, nunca pilotei não...
- Vendedor: E tem certeza que quer levar mesmo? Não tem medo?
- Ale: Nãaoo, bote ali na pista pra mim! ;)

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Meu querido "Barriga Cheia"



Esse é o pseudo-nome do Restaurante Popular mantido em algumas cidades do RN pelo governo do Estado. Oferece almoço de segunda a sexta-feira, no horário de 11:00h às 13:00h, pelo preço de R$ 1,00. Desde a semana passada "o Barriga", como o chamamos carinhosamente, está num prédio novo e eu fui almoçar lá ontem pela primeira vez.
Como estava sozinha, pude notar com mais detalhes as diferenças. Antes era num prédio mais antigo, anteriormente usado como salão de festas, coberto só em cima e onde almoçávamos era bem ventilado. Além do que, ficava abaixo do nível do rio que passa bem próximo, tanto que para chegar lá era preciso entrar numa rua de paralepípedos com declive e por conta disso, quando chovia muito e o rio enchia, alagava.
O prédio novo é um galpão, que não posso dizer ainda se fica muito quente porque ontem estava chovendo muito quando cheguei e enquanto almocei, tanto é que os rapazes que servem nem estavam muito suados. Ficava todo mundo expremido na entradinha, o maior vuco-vuco. Por falar em gente, esse é um bom exemplo de lugar democrático, pois se pode achar de todo tipo: pedinte, idoso, criança, vendedor, engraxate, estudante, dona de casa, mestranda :)... e todo dia as figurinhas carimbadas marcam presença. Tem até gente que faz amizade.
Enquanto eu tentava me esquivar da chuva um senhor gritou da fila de comprar a ficha:
- Bastião! Cadê meu real?
Ria tão alto que dava pra ver a saliva respingando, enquanto coçava o suvaco.
- Vai trabalhaaaar em vez de querê cumê às custa dos zoto, infiliz!
Riu Batião com os poucos dentes que tinha.
Também tem o velhinho que pede dinheiro:
- Pode sê 1 real, 5 ou 10, pode sê moeda pouca ou muita, pode sê no cartão ou no cheque e eu aceito pré-datado! Ajude o véi a completá o dinheiro do de cumê!
Fala bem assim, enquanto se arrasta no chão segurando uma bengala surrada. Esse é o mesmo que quando está almoçando pede laranja ou rapadura para quem senta ao lado.
Tem o pastor, que fica lendo a bíblia e pregando para o pessoal da mesa depois que almoça. O povo olha, tem os que gostam e participam, tem os que nem dão atenção e até os que discutem. O pobre do velhinho fica tão nervoso!
Agora, o corredor de controle da fila é com barras de alumínio em cima de suportes de ferro chumbados no chão, tão diferentes dos ferros descacados do outro prédio, os balcões são de granito (chique, Bein!), as mesas novas de fórmica, as cadeiras de plástico tão novinhas (ainda estão até com os adesivos da marca!) e bem melhores do que os bancos de madeira sem encosto que estávamos acostumados.
A pia de lavar as mãos fica no caminho das bandejas e de lá já dá para ver a cozinha com janela de vidro, o fogão industrial e as estufas. Só não olhei melhor porque me distraí com pena da mamãe segurando o bebezinho gripadinho, espirrava tantoooo.
É servida uma refeição completa nutricionalmente. Ontem, por exemplo, tinha feijão (adorei que não tinha cominho), arroz, frango assado, fígado ao molho, cuzcuz, salada de repolho (eu já notei que a safra dura o ano inteirinhooo) com alface, suco de laranja e de sobremesa tinha goiabada. Inclusive a nutricionista estava lá ajudando a organizar a fila de forma que não ficasse ninguém tomando banho e chuva, numa dessas quando eu fui afastar quase derrubo os caroços de arroz do bigode do homem que estava numa mesa atrás de mim.
Os funcionários todos trabalham com o uniforme completo e todo branquinho composto de gorro, máscara, bata, calça, galocha, avental e luvas. Além disso, agora tem umas moças simpáticas arrumando as cadeiras das mesas que o pessoal vai saindo, uma delas até se ofereceu para levar a bandeja do senhorzinho que estava ao meu lado e como ele esqueceu de pegar o guardanapo que ela levou junto, acabou limpando o restinho de caldinho de feijão e cuzcuz do cantinho da boca com a gola da camisa. Tadinho! Deve ter ficado com vergoha de pedir para ela voltar.
Lá também se tem respeito pelos idosos, eles não têm que enfrentar fila :) graças à Deus! Fiquei me botando no lugar da senhora que passou com as pernas fazendo nó de varizes, caso ela não pudesse ir pro início da fila.
No Barriga é todo dia a maior animação, muita gente que talvez não tivesse como se alimentar bem pode ter um almoço completo pela metade do valor de um salgado. Para quem não vai ter salário esse mês, está bom demais!
Hoje vai ser arroz, feijão, hamburguer, peixe frito, pirão de peixe, salada (de repolho, claro!), suco e banana de sobremesa. Vamos?

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Mentiras



Quantas mentiras nos contaram; foram tantas, que a gente bem cedo começa a acreditar e, ainda por cima, a se achar culpada por ser burra, incompetente e sem condições de fazer da vida uma sucessão de vitórias e felicidades. Uma das mentiras: É a que nós, mulheres, podemos conciliar perfeitamente as funções de mãe, esposa, companheira e amante, e ainda por cima ter uma carreira profissional brilhante. É muito simples: não podemos.
Não podemos; quando você se dedica de corpo e alma a seu filho recém-nascido, que na hora certa de mamar dorme e que à noite, quando devia estar dormindo, chora com fome, não consegue estar bem sexy quando o marido chega, para cumprir um dos papéis considerados obrigatórios na trajetória de uma mulher moderna: a de amante.
Aliás, nem a de companheira; quem vai conseguir trocar uma idéia sobre a poluição da Baía de Guanabara se saiu do trabalho e passou no supermercado rapidinho para comprar uma massa e um molho já pronto para resolver o jantar, e ainda por cima está deprimida porque não teve tempo de fazer uma escova?
Mas as revistas femininas estão aí, querendo convencer as mulheres - eos maridos - de que um peixinho com ervas no forno com uma batatinha cozida al dente, acompanhado por uma salada e um vinhozinho branco é facílimo de fazer - sem esquecer as flores e as velas acesas, claro, e com isso o casamento continuar tendo aquele toque de glamour fun-da-men-tal para que dure por muitos e muitos anos.
Ah, quanta mentira!
Outra grande, diz respeito à mulher que trabalha; não à que faz de conta que trabalha, mas à que trabalha mesmo. No começo, ela até tenta se vestir no capricho, usar sapato de salto e estar sempre maquiada; mas cedo se vão as ilusões. Entre em qualquer local de trabalho pelas 4 da tarde e vai ver um bando de mulheres maltratadas, com o cabelo horrendo, a cara lavada, e sem um pingo do glamour - aquele - das executivas da Madison.
Dizem que o trabalho enobrece, o que pode até ser verdade. Mas ele também envelhece, destrói e enruga a pele, e quando se percebe a guerra já está perdida. Não adianta: uma mulher glamourosa e pronta a fazer todos os charmes -aqueles que enlouquecem os homens - precisa, fundamentalmente, de duas coisas: tempo e dinheiro. Tempo para hidratar os cabelos, lembrar de tomar seus 37 radicais livres, tempo para ir à hidroginástica, para ter uma massagista tailandesa e um acupunturista que a relaxe; tempo para fazer musculação, alongamento, comprar uma sandália nova para o verão, fazer as unhas, depilação; e dinheiro para tudo isso e ainda para pagar uma excelente empregada - o que também custa dinheiro. É muito interessante a imagem da mulher que depois do expediente vai ao toalete - um toalete cuja luz é insuportavelmente branca e fria, retoca a maquiagem, coloca os brincos, põe a meia preta que está na bolsa desde de manhã e vai, alegremente, para uma happy hour.
Aliás, se as empresas trocassem a iluminação de seus elevadores e de seus banheiros por lâmpadas âmbar, os índices de produtividade iriam ao infinito; não há auto-estima feminina que resista quando elas se olham nos espelhos desses recintos. Felizes são as mulheres que têm cinco minutos - só cinco - para decidir a roupa que vão usar no trabalho; na luta contra o relógio o uniforme termina sendo preto ou bege, para que tudo combine sem que um só minuto seja perdido.
Mas tem as outras, com filhos já crescidos: essas, quando chegam em casa, têm que conversar com as crianças, perguntar como foi o dia na escola, procurar entender por que elas estão agressivas, por que o rendimento escolar está baixo.
E ainda tem as outras que, com ou sem filhos, ainda têm um namorado que apronta, e sem o qual elas acham que não conseguem viver . Segundo um conhecedor da alma humana, só existem três coisas sem as quais não se pode viver: ar, água e pão. Convenhamos que é difícil ser uma mulher de verdade; impossível, eu diria. Parabéns para quem consegue fingir tudo isso....

Danuza Leão

Ps: Recebi por e-mail da minha querida Auxilia, linda, inteligente e engraçada... que eu adoro! Achei muito interessante e já tinha pensado sobre isso aqui antes. Beijos e obrigada!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Desesperos da vida privada




Posto de gasolina na beira da estrada, duas horas e meia de espera. Calor, sono, fome, sede. Almoço, bela surpresa, Rubacão. Linguiça, salada, refrigerante.

Depois de satisfeita, ela foi escovar os dentes. Banheiro limpo, organizado. Pia 1: Não saiu água na torneira. Pia 2: Saiu muita (eu disse muita) água da torneira. Lavou as mãos, lavou o rosto, tentou fechar a torneira e nada. Então pegou a escova, olhou para a pia, passou creme dental, olhou para a pia, a água estava meio amarela. Molhou a escova com creme e assim que tirou debaixo da torneira, sairam restos mortais de algum animal pela torneira. E no meio da ânsia de vômito ela percebeu que na verdade era apenas um pedaço de folha seca. Alívio.

Começou a escovar, shuvpt, shuvpt, shuvpt e notou que a pia estava começando a encher. Acelerou a escovação, shuvpt-shuvpt-shuvpt, a pia continuava a encher, shu-shu-shupt, shu-shu-shuvpt, não parava de encher. A pia estava prestes a transbordar e molhar todo o banheiro, shshshshupt, a água iria escorrer pelo chão até o salão onde os outros clientes estavam almoçando.

Pensou em chamar a gerente e avisar. Mas com a boca cheia de creme dental? Shuvpt, enquanto a escova estava na mão esquerda, começou a pegar a água amarela com a mão direita, hora lavava a boca e cuspia na pia seca, hora despejava o punhado de água na escova, para cada enxague um deslocamento lateral (imagine a dança do siri!).

A pia agora ia transbordar de verdade, não ia dar tempo. No ápice do desespero ela viu que tinha que fazer alguma coisa e ainda com creme dental na boca correu para chamar alguém, meio timidamente:

- Eoei! Cavde a mofcha que travaw avdentenvdo afquiw?
(Tradução: Ei, cadê a moça que estava atendendo aqui?)
- Hãn?
- Aow piuoaw bvuai pansbourdar!
(Tradução: A pia vai transbordar!)
- Como, moça?
- Eou wrãno sconseiii vefchar a pordeira!
(Tradução: Eu não consegui fechar a torneira!)
- Desculpe eu não estou entendento.

A água começou a passar da pia para a bancada, estava se espalhando e ia começar a derramar feito uma cachoeira pelo chão, quando ela resolveu entrar salão a dentro, deixando toda a timidez de lado:

- Cavde a mofcha que travaw avdentenvdo afquiw?
(Tradução: Cadê a moça que estava atendendo aqui?)

A moça finalmente apareceu.

- Eou wrãno sconseiii vefchar a pordeira e tfa drerramow!
(Tradução: Eu não consegui fechar a torneira e está derramando!)

Quando a atendente chegou na pia já era tarde. Pia esborrotando, água na bancada, no chão... então ela tirou o registro da torneira, recolocou, fechou tranquilamente e disse sorrindo:

- É porque essa torneira não está fechando direito e as pias ficam entupidas por causa das folhas e sementes de eucalipto que caem na caixa d'água.

.:. Primeiro pensamento: %$*#&%$#@*&
.:. Segundo pensamento: Pra que escovar os dentes depois das refeições?
.:. Terceiro pensamento: Bem que poderia ter um aviso de que as pias estavam interditadas!
.:. Quarto pensamento: Eu deveria ter me desesperado antes!
.:. Quinto pensamento: Na próxima vez que for ao banheiro alheio, verifico se está tudo funcionando antes de usar.
.:. Mais situações desesperadoras aqui, aqui e aqui!

sexta-feira, 29 de maio de 2009

O mistério da cadeira nº13



Nas minhas não pouco frequentes viagens de ida e volta Mossoró-Natal, procuro comprar a passagem com uma certa antecedência e por isso posso escolher o assento que eu achar melhor, no caso: a cadeira nº13, janela. Nela me sinto em casa, seja na ida, seja na volta, seja de dia, seja a noite. Entro, guardo as bagagens no porta-malas, sento, desço o encosto, coloco minha bolsa no cantinho entre meu quadril e a lateral do ônibus, me cubro e durmo, como uma anjinha.

Algumas vezes até ouvi comentários como "Esta moça gosta de dormir, viu!" ou "Oh sono bom danado!", mas é a paz que só a cadeira nº13 me traz. Tem vezes que nem noto o ônibus parando em Lajes, que fica na metade do caminho, ou se noto nem faço questão de sair do meu sossego. Eu, minha garrafinha d'água e meu lençol branco. Inclusive, este é um dos mistérios.

Eu já notei que todas as vezes, sem exceção, que me cobri dos pés a cabeça com o grande escudo protetor de todas as crianças (é que às vezes deixo o lençol só até o pescoço) a pessoa que estava do meu lado sumiu. É isso mesmo! Quando eu entro no ônibus tem sempre alguém na cadeira nº14, aí eu peço licença, sento, faço todo o ritual e quando acordo... que olho para o lado (pasmem!) não tem ninguém! É um fenômeno inexplicável, como se a cadeira nº13 fizesse isso para que eu tenha mais espaço e conforto!

E como se fosse um castigo ou maldição, todas as vezes que não deu certo sentar lá ocorreram sérios problemas! Uma vez fiquei embaixo do ar-condicionado pingando e não tinha lugar sobrando para que pudesse me mudar. Outras fiquei no corredor e lá não consigo pregar o olho! Eu penso que minha bolsa vai cair, que meu lençol vai cair, que minha garrafinha vai cair, que meu braço vai cair e alguém vai passar, bater nele e sair levando até quebrar. Não dá!

Teve outra vez que uma senhora, que certamente não teve tempo de tomar banho antes dessa viagem, a saber pelo odor de suas axilas, veio o caminho todo tossindo e com a luzinha acesa nas nossas fuças tentando ler a bíbia. Oh, céus! Deus que me perdoe, mas não tinha outra hora pra fazer isso não?! Bem que se eu tivesse na cadeira nº13 teria feito a mágica de cobrir a cabeça com o lençol branco, hehehe.

Sem contar a vez que foram três crianças nas cadeiras à minha frente. Duas imediatamente à frente e outra (deficiente) à frente dessas duas. A viagem inteira essas crianças ou gritaram ou brincaram ou cantaram ou choraram! Minha gente, preciso tirar o chapéu para a paciência daquelas mães. Mas moi, que já estava sofrendo longe da minha cadeirinha, morrendo de sono, não pude dormir nem um segundo.

É impressionante como em outro lugar definitivamente não descanso! Tenho pra mim que azar é não sentar na cadeira nº13, hein!

.:. Para uem não é medroso(a), tem outro mistério nesse link!